Depois de reparada de chapa, foi transferida para o “mestre” das pinturas de automóveis, que é a firma de Raimundo Branco, em Frielas, Loures.
O "Mestre" Raimundo a supervisionar o desembarque da carcaça da Gigi.
Foi escolhida a cor.
Na primavera de 1951 apareceu a "Belve" metálica, com uma palete de cores muito variada: dois tons de azul, verde, cinzenta clara, castanha, etc., o que veio alegrar as estradas europeias, fugindo aos tons escuros e tristes em que, geralmente se "vestiam" as viaturas da época.
Inicialmente gostava do verde mas, como o meu Ford de 1929 é dessa cor, optei por outra que vi numa foto de outra "Belvedere", dum sócio do Club Topolino de Itália, e que por coincidência, era a cor original da Gigi.
"Passou" a castanha, com fundos em creme.
A preparação foi muito cuidada, durante vários dias de trabalho.
"Ela", aqui orgulhosa ao lado de um Ferrari (parente rico), que estava na mesma "linha de preparação"...
Deu-se a primeira "de mão", o que já dava ideia como a cor final iria ficar.
Assim voltou à cor original…!
Vai ficar LINDA!
Depois de várias "de mãos", ficou com a cor principal. Depois foi isolar esta pintura e pintar as "almofadas" das portas e ilhargas, com a cor mais clara.
Vai ficar um "espanto"!
Através do "eBay", comprei no
Pneustore (Itália), um jogo de pneus com as medidas 125R15 (sendo esta a medida equivalente aos 4,25X15 da época), com a marca "Vee Rubber", muito apreciados pelos utentes dos
foruns dos "2CV".
O próprio rasto é muito semelhante aos dos Michelin X, estes em uso no "500 C" de 1951.
Foram montados nas jantes, que tinham sido préviamente desamolgadas, torneadas e pintadas com a cor Fiat.
Ainda falta, nesta fase, pintar o bordo exterior na cor principal.
O Sr. Machado, depois de armar os bombitos novos dos travões, e
los tubos de frenos Argentinos,
nas polies, foi “pendurá-los”, com a minha ajuda, assim como o diferencial, no chassis, onde eu já tinha montado o motor, caixa de velocidades e demais órgãos de mecânica.
Aqui dava vontade de pôr um banco, volante e ir dar uma volta...
Levei o chassis, pronto de mecânica, para a oficina de pintura, onde a "carcaça" o esperava
e ali foram “unidos para sempre”!
Já dava para vislumbrar o projecto final...
O entusiasmo aumentou com a chegada da (agora) “la nuova italiana” a casa!
Iniciei a montagem do “chicote” de electricidade, que foi mandado vir da Suiça (Mr. Ezio Casagrande). Sendo tudo instalado conforme o original, (excepto uma "transformação caseira", feita pelos antigos donos, que trazia um interruptor de parede (220V), mais ou menos dissimulado, para ligar os quatro piscas...
Foi removido, evidentemente!)
Instalei (novos) farolins originais,
porque os que “ela” trazia (do Fiat 1400),
eram fruto de uma lei italiana dos anos sessenta, que obrigava
todos os veículos a terem luzes independentes na retaguarda, retirando a originalidade aos antigos.
Estes, redondinhos, têm a particularidade de na mesma lâmpada, fazer “stop e pisca", comandado por um interruptor de sete contactos.
A verdade é que estes desempenham a sua função na perfeição!
Chamei mais tarde um electricista para ajudar a resolver um pequeno problema com uns “relais”, que quis manter, pois era uma mais valia para a intensidade luminosa e aumento da segurança.
Sim, porque dizer-se "veículo é
antigo", não quer dizer que seja menos seguro do que as viaturas circulantes, hoje em dia!
Pelo menos é o meu entender e objectivo, assim como os outros utentes deste tipo de viaturas, apoiados por organismos como o Club Português de Automóveis Antigos e o ACP "Clássicos", através das suas recomendações e inspecções regulares (e bastante rigorosas)!
(continua)