quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O restauro da "Gigi" - Parte II

Mas, continuando...

Com a ajuda do Sr. Machado, “mecânico multi-marcas”,  começámos a separar a carroçaria do chassis.


Com a falta de equipamento e voluntários para executar a tarefa, valeu-nos a "massa cinzenta" e o espírito do "desenrasca à portuguesa"!


Depois de "descolado" o chassis da carcaça, foi analisado.
As suspensões foram retiradas para restaurar os travões, amortecedores, diferencial etc..


Aqui via-se o resultado de mais de cinquenta anos de uso: a ferrugem fazia uma pasta rígida com o lixo, terra, e alguns lubrificantes dos outros tempos!
Foi muito difícil de  limpar!


Os tubos de travão estavam podres e entupidos.
Mandei vir uns novos da Argentina.

Dois dos amortecedores (babados), foram substituídos por outros que tinha "em stock"...
"Guarda o que não presta, verás como te faz falta"!
Lá diz o povo na sua infinita sabedoria...

A suspensão da frente tinha algumas folgas, que tinham de ser anuladas com os encasquilhamentos adequados.

O diferencial estava em bom estado, sem folgas, o que já era muito bom! Depois de limpo e preparado,foi pintado e arrumado, para futura instalação.

Não foi fácil "arrancar" as peças do chassis, mas com persistência e ferramenta adequada, lá se conseguiu "pôr tudo a nu"...!


Depois de limpo o chassis, até deu para brincarmos, fazendo uma espargata com os “remains”…


A Gigi, ficou com as "partes baixas" no chão, até ir para o "descasque" (jacto de areia e metalização) e lifting das "peles penduradas e acnosas" (bate-chapas)...


Pelo menos dois baldes cheio de lixo, foram enviados para o contentor.
A Gigi devia estar a gastar mais uns "litrinhos" do que devia...

Uff!.. Deu cá um trabalhão...!

Mas, "ainda a procissão vai no adro..."

(continua)


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terça-feira, 14 de setembro de 2010

O restauro da "Gigi". Parte I

Nota do Autor:
Antes de iniciar estes próximos capítulos, tenho que chamar a atenção daqueles que "não dão a mínima" para questões de mecânica.
Vou tentar fazer uma descrição o mais curta e suave possível, mas não posso deixar de publicar fotografias um pouco mais susceptíveis de chocar pessoas mais sensíveis...
Estas referem-se às "partes intimas da Gigi..."
Desde já as minhas desculpas.
Se por acaso estiverem presentes crianças ou pessoas alheias a este tema, devem ser esclarecidas destes conteúdos.
Obrigado.
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Depois da movimentação provocada com a aquisição e transporte, “assentámos” um pouco e começámos a pôr tudo em ordem.

Para começar, entreguei ao “despachante” os documentos para legalização da “imigrante italiana”.


Depois de guardar as peças já restauradas pelo Enrico, começámos a catalogar as soltas.


Foi tudo fotografado ao pormenor, para que quando surgissem dúvidas, pudéssemos socorrermo-nos desses elementos de “prova futura”.

Etiquetas em tudo que se retirasse e guardar nas caixas respectivas.

Foi montada uma “mesa de operações” para se efectuarem os trabalhos de bancada.

Aqui foram feitos os trabalhos mais delicados.

Tudo o que era frágil, como faróis, farolins, vidros e interruptores, foi guardado de forma que não sofresse de acidentes evitáveis.



A dificuldade de encontrar peças de viaturas com estas vetustas idades, é muito grande.

Esta em causa, já tem a bonita idade de 57 anos!!! (Respeitinho!)

Como o motor e caixa estavam já separados, levei-os a Leiria para serem revistos pelo “grande mestre” de Fiat’s neste país.


Grande amigo, (preparador de carros de rally, como de Ramiro Fernandes, António Monteiro e colaborador e amigo de grandes “astros do asfalto”, como Maku Allen e outros), que é o Sr. João Oliveira, para os amigos “João Torneiro” (para mim: "Joãozinho", simplesmente).


Fez um trabalho excelente, como é costume.

Quanto ao motor, disse-me: “Abri e fechei, porque estava em óptimas condições!”
Melhor...

Quanto à caixa de velocidades é que teve de ser desarmada à força, porque o lubrificante dos "anos oitenta" e os longos anos de inactividade, tornaram o fluido em  “ponto caramelo”, como se diz em gíria pasteleira.
Serviu uma caixa extra, que eu tinha, para ajudar a resolver esta situação.

Depois de se esvaziar a “carcaça”, começámos a restaurar todos os elementos que podíamos.


Depois de limpos e desengordurados, eram pintados e embalados nas respectivas caixas, tudo por ordem.

Alguns elementos tiveram de ser adquiridos novos, ou usados de várias procedências. Desde os Estados Unidos, Alemanha, Suíça, Argentina, França, Portugal, mas sobretudo de Itália, “terra natal” da nossa “desventrada” Gigi.

A Internet é um precioso meio, hoje em dia, para termos acesso a informação e localização do que pretendemos.

Pergunto:
Como conseguíamos dantes?
Talvez não tão bem, nem tão rápido, mas conseguiamos!

Só de me lembrar que para restaurar o outro Fiat 500 C, demorei cerca de 5 anos…
Foi obra...!

(continua)


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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O regresso a casa com "la vechia Italiana”

No dia seguinte, acordámos com o espírito dos miúdos, quando se levantam na manhã do dia 25 de Dezembro!

Apesar de sabermos o que “tínhamos no sapatinho”, queríamos saber como a Gigi tinha passado a noite!
Fui à janela e verifiquei que estava tudo em ordem.
Tinha nevado ligeiramente, o que estava previsto, pela meteorologia.

Depois de um prolongado duche, arrumada a tralha e tomado o pequeno-almoço, despedimo-nos do confortável Hotel e fomos para a Época Car, fazer compras para a Gigi.

O “pronto-a-vestir” era simplesmente enorme!

Nós que cá lutamos por uma pequena mola, parafuso ou pára-brisas de um automóvel antigo, entrar naquela casa é como entrar numa “grande superfície comercial”, onde se tem tudo quero dizer, mesmo TUDO, para Fiat e carros italianos, claro!
Ficámos espantados com a existência e igualmente com a simpatia do “Sig. Roberto Picoli”, que nos tratou como se fôssemos “velhos amigos” da casa!
A nossa preocupação era comprar a “lingerie” da Gigi, pois os seus “fundos” estavam rotos (de ferrugem), assim como as “saias” (embaladeiras e patins), “aparelho digestivo” (escape completo) e alguns itens que seriam de grande dificuldade em obter “cá em casa”!
Lá conseguimos arrumar, com alguma dificuldade, todas aquelas compras e depois de comprarmos uns frescos para a viagem num supermercado vizinho, metemo-nos ao caminho!

Estava um dia soalheiro!

Um bom dia para viajar!

Passámos ao lado de Veneza, lamentando não ter possibilidades para lá ir, de novo… nem com a companhia que ficou em casa!
Fica para a próxima!

Depois de deixar as auto-estradas do Vale do Pó, fomos confrontados com um dos maiores perigos da condução: o nevoeiro!


Mas assim que iniciámos a descida para a A-10 (Autostrada dei Fiori), tudo melhorou e ficámos um pouco mais descansados.

Tivemos a oportunidade de gozar as paisagens maravilhosas das costas do Mediterrâneo.


Nesta imagem, vê-se a zona de Montecarlo, onde "já fui muito feliz"...!

Aqui ainda não tínhamos a certeza qual o trajecto a tomar: se o da vinda por Toulouse, Pau e Norte de Espanha (mais perto e mais barato), se por Barcelona, Madrid e Badajós.
Optámos por esta última, para variar.

O Sol já nos tinha deixado para os lados de Marselha. Por isso a paisagem não teria interesse.
Após passarmos a fronteira espanhola, deixámos a “autovia” e fizemos um “short cut”, directo a Madrid.
Nos Pirenéus, se não fosse a chuva, até seria interessante a condução, mas o pior é que, de novo, o nevoeiro nos pregou a partida… Serviu a ajuda de uma ambulância da zona, conhecedora da estrada, que nos foi a “guiar às cegas”, durante largo período de tempo.


Nessa altura lembrei-me daquela história do automobilista que numa noite de nevoeiro cerrado, também aproveitou a “boleia” de outro, mais bem equipado de luzes e conhecedor do caminho.
Depois de vários quilómetros de andamento rápido e de várias curvas mais ou menos apertadas, o da frente trava de repente e ele não conseguiu evitar, "enfiando-se" na sua traseira.
Saiu do carro e pergunta ao “guia”: - “Então, a conduzir tão bem durante tanto tempo e de repente trava desta maneira?”
Respondeu o outro, olhando à volta: - “Na minha garagem…?”

Eh, Eh!

Mas desta vez, não entrámos pelo Quartel dos Bombeiros locais, sem convite...!

Fartámo-nos de rir, o que veio "quebrar" a tensão do momento e "despertar" mais a atenção.

A passagem por Madrid foi pacífica.
Depois de uma paragem de cerca de 30 minutos numa área de serviço, voltámos à estrada.

O Ricardo, que conduz muito bem, dorme ainda melhor!
Pode-se dizer, que dorme em "cima de uma cabeça de alfinete" e é rápido a adormecer: Nem o “Red Bull” faz efeito, conforme se viu anteriormente.

Mas mesmo assim, andámos rápido, dentro dos limites e com cuidado.
Ou não fosse a “la vechia italiana” enjoar…

Como em Espanha não pagámos portagens, excepto da fronteira (Figueres) até Girona, aproveitámos para fazer contas das despesas com as mesmas.

Chegámos à fantástica (e triste) realidade:

Em Portugal as portagens são o DOBRO das de Itália e de França!!!

Se não, vejamos:
Em Itália, de Ceggia (Ve), até Ventimiglia (Im) – 575km, pagámos classe B (equivalente à nossa classe 2): 43,40 € (0,075€/km)
Em Portugal, de Elvas ao Pinhal Novo - 176 km, pagámos classe 2: 26,25€ (0,149€/km)

O DOBRO, como se pode verificar!

Mas o que mais revolta, não é só a diferença de rendimento “per capita”, nem o facto das ajudas europeias que foram dadas para a construção das nossas auto-estradas. É que, não se compreende vendo as magníficas obras de engenharia que são as dezenas de túneis e viadutos (como exemplo na "Autostrada dei Fiori"), obras que têm, certamente muito mais custos de manutenção que as “planuras alentejanas”…
Dá que pensar!


Sem percalços de maior, chegámos às 12h50 de terça-feira, ao Cazal d’Amoreira, ao fim de 23h16 de viagem para 2.527 kms!


Confirmado nos instrumentos da Ducatto.

Não posso deixar de reafirmar que o tempo das "viaturas de carga”, que é disso que se trata, já lá vai! Esta Ducatto, passando a publicidade, demonstrou que se conduz (quase) com o conforto de um “automóvel estradista”!
Foi uma boa opção, sem dúvida!

Assim que chegámos e depois da recepção calorosa aos “Navegantes Lusos”, fomos descarregar “ La Italiana” pois tínhamos de devolver a Ducatto.


Depois de um almoço com "garfo e faca”, apresentámos a “Italiana” à família:


Ficou toda a gente impressionada com a quantidade de ferrugem e trabalho a executar!

Mas "isso" fica para os próximos capítulos...

Até lá!


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domingo, 5 de setembro de 2010

Em busca da GIGI

Depois de pormenores de logística resolvidos, iniciámos a nossa aventura da "Busca da Gigi"!!!

Saímos do Cazal d'Amoreira ás 10H30 de sábado, dia 16 de Janeiro de 2010.



Apesar da Ducatto ir vazia de carga, revelou-se de uma comodidade notável!


Fiz o primeiro "quarto", como se diz na gíria náutica, até à entrada de França. A partir daqui o Ricardo "tomou as rédeas" até Marselha, revezando-nos, a partir daí, com regularidade.

Em França e Itália pagámos classe 2 nas portagens nas auto-estradas porque o furgão tinha mais de dois metros de altura.

Raiava a manhã, quando entrámos em Itália.

Bom presságio foi avistarmos o túnel "Belvedere", na "Autostrada dei Fiori"...


Depois de Génova e ao subir as faldas dos Alpes até à zona de Alessandria, deparámos com neve, mas os limpa neves tinham feito um bom trabalho e a tempo.


Durante a viagem deliciámo-nos com os petiscos da "Vó Ni", que nos fez estar atentos e reconfortados.

Mais ou menos... porque o Ricardo, depois de descansar, decidiu comer um ovo cozido, uma banana e um RedBull (que lhe daria asas...) para ficar acordado no seu turno de condução!
O turno foi mais coisa menos coisa de uns 10 minutos, pois... encostou e trocámos novamente, enquanto ressonou mais uns bons kms!
Em vez de "asas", deu-lhe "azzzzzzzzZZZZZas..."


Quando estávamos na zona de Brescia, Enrico (o vendedor) telefonou-me para saber se a viagem estava a correr como previsto. Agradeci a preocupação e aproveitei para perguntar da viabilidade de "carregarmos" a nossa Gigi nesse dia, apesar de ser Domingo, de forma a sairmos mais cedo, no dia seguinte, de regresso a Portugal.
Ele concordou e marcámos encontro no "Hotel da Gigi".

Chegámos ao nosso destino, pelas 12h00, horas locais.


Fizemos cerca de 24h de condução contínua a uma média de 110km/h, com algumas paragens para reabastecermos e fazermos os "dumpings" necessários.

Tomando em conta a viatura em questão e os radares espalhados durante o percurso, nada mau...!

Depois de guardada a bagagem no quarto, fomos almoçar "como gente"!

Passados alguns minutos, apareceu o Enrico. Pessoa simples e simpática (lembrando um dos "reporters" do "Curral de Moinas"...).

Encetámos conversa muito agradável, como se fôssemos amigos de longa data!
Estávamos ansiosos de sermos apresentados à nossa "Gigi"...
No final do almoço, lá fomos.

Ao fim de uns quilómetros, lá estava "ela", acorrentada como uma cachorrinha...


Fiquei satisfeito porque a descrição feita pelo Enrico, era a mais exacta possível!


Estava muito ferrugenta nos fundos, guarda-lamas, para-choques, etc., mas completíssima!


Notava-se que teria estado imobilizada durante muitos anos!


O motor estava muito sujo e babado, ainda agarrado à caixa de velocidades.


Várias caixas de cartão, tinham peças soltas e algumas tinham sido reparadas e prontas para instalar.

Segundo me informou o Enrico, tinha iniciado o restauro, mas desistiu porque, como "alfista", não sentiu força anímica para terminar a tarefa por este ser um Fiat.

Como a viatura estava desarmada parcialmente, tive de reconstruir o "puzzle" mentalmente, o que não é nada fácil!


Em casa, tinha feito um "check-list" das peças e acessórios, o que me deu muito jeito.




Entretanto o Ricardo de máquina na mão, mais parecia o fotógrafo do "Close Up", fazendo uma reportagem completa destes momentos cruciais.


Após conferência de documentos e pagamento do "resto", iniciámos o carregamento da "nossa" Gigi!



As medidas, previamente calculadas, conferiram, o que nos deu oito centímetros (!) de folga no comprimento, quando "enfiámos" a Gigi na caixa da Ducatto.

Bem amarrada (não fosse ela "arrear" em andamento, com algum arranque mais brusco), e com o motor caixa e restantes elementos devidamente acondicionados, passámos à cerimónia da entrega das chaves e da troca de brindes.


O Enrico levou como oferta uma garrafa de Vinho do Porto (10 anos), que o deixou muito sensibilizado, de tal forma que ao despedir-se do Ricardo lhe aplicou um "baci", que deixou este sem jeito...!

Ao informar o Enrico da nossa pretensão de, no dia seguinte, ir a Pádua comprar algumas peças, disse-nos que tal não era necessário porque havia lá em Santo Stino uma boa firma que tinha tudo e, talvez com melhor preço. Levou-nos a ver a sua localização, que ficava a poucos quilómetros dali e fixámos o endereço para lá irmos no dia seguinte, antes da "grande cavalgada" de regresso.

Despedimo-nos, com a promessa de lhe enviar notícias.

Voltámos para o Hotel e, depois de verificarmos os reapertos da Gigi, fomos descansar até à hora de jantar.

Saímos e depois de uma volta pela pequena cidade, deliciámo-nos com um lauto jantar, bem regado com excelente vinho da região do Veneto, para comemorar a compra e fazendo votos de uma viagem de regresso segura e concretização do restauro da NOSSA Gigi!

Quando regressámos ao Hotel, falando com o proprietário, perguntámos o porquê do nome do mesmo. Explicou-nos que anteriormente o Hotel era do avô dele e que lá na terra, era carinhosamente tratado pelo diminutivo do seu nome: "Luigi" = "Gigi". O "da" em italiano quer dizer "do", em português.
Portanto, afinal o Hotel da Gigi, não quer dizer outra coisa senão: Hotel do Luisinho!

(Por vezes fazem-se juízos errados e precipitados...)

Ficámos mais descansados e... caímos na cama que nem uma pedra!!!


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A procura

Com o "empurrão" psicológico do meu genro Ricardo, comecei nos finais de 2009 a sondar as hipóteses de compra de uma viatura destas para restauro.
Em Portugal, descobri uma, que após várias tentativas de contacto para compra, não deu resultado, por atitude de "mosca de pastelaria" do vendedor.
Passei a visitar o "eBay.it", onde descobri alguns exemplares.
Uma "Belvedere" que estava em leilão, com aspecto pouco saudável, chamou-me a atenção.
O leilão realizou-se numa tarde de domingo.
Foi emocionante!
Nós a delinearmos técnicas para o ganharmos.
E ganhámos!
Foi a loucura cá em casa!
Deu direito a brindes e tudo!
No dia seguinte, foi o desmoronar do sonho: O italiano de Diano Marina, deu o "dito por não dito" e escreveu-me dizendo que "afinal a carrinha não era minha, porque já a tinha vendido, no dia anterior, fora do "eBay"...!!!
Vigaristas há em todo lado, até em Itália!
Foi o desalento total!
Apesar do "feedback" negativo enviado para o "eBay", que fez descer a credibilidade do "vígaro", não me fez desistir do intento de realizar um sonho!
Ao fim de busca e sete tentativas de compra, (incluindo uma já com o "sinal" pago, mas ao verificar as medidas, constatei que os documentos não pertenciam a uma Belvedere, mas sim a um "Transformabile"), finalmente, encontrei "aquela" que poderia ser "a tal".


No dia 09 de Janeiro de 2010, dia final do leilão, numa "luta" aguerrida contra os outros intervenientes, licitámos nos últimos 2 segundos...
Momentos angustiantes depois, recebi esta mensagem no meu eMail:
HURRAY!!!

Voltámos aos brindes...

Depois de enviar o "sinal" através de "Paypal", começámos a planear a melhor forma de ter a (pobre) que ansiava por estar junto a nós...
Depois de vários contactos com transportadores rodoviários, estes resultaram infrutíferos ou muito caros.

Optei por nos deslocarmos a Itália, mais exactamente a Santo Stino di Livenza, entre Veneza e Trieste.

A distância seria cerca de 2.500 quilómetros!
Nada que assustasse dois "Navegantes Lusos"!
Depois de muitas buscas optei por alugar uma Fiat Ducatto, na Eurorentlei, que tinha as medidas exactas para transporte.
Como não poderíamos "perder" muito tempo na viagem, optámos por fazer "uma directa" para Itália, vindo a descansar só em Santo Stino e fazer outra directa no regresso.
Para isso pedi ajuda ao vendedor, para me indicar um hotel local, que obedecesse aos requisitos de "pulito e tranquillo" (limpo e sossegado).
"Na volta do correio", informou-me que havia um Hotel com essas características que se chamava: "Hotel da Gigi"...(!!?)
Desconfiados, olhámos um para o outro e confidenciámos:
"Eh pá!!! Pelo nome, deve ser um Motel à beira da estrada, com frequência pouco recomendável, de alta rotatividade e barulhenta...!"
Mesmo assim, arriscámos e fizemos a reserva!
Cá em casa, foi uma risada quando a família soube onde ficaríamos alojados.
Como na brincadeira entraram os meus netos, estes inocentemente, perguntaram: 

"-Mas quem é a Gigi?"

Por isso a "Belvedere" foi baptizada de "GIGI" !!!


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O porquê da escolha

Além de três distintos "british cars", tenho um dos "states" e outros dois da "Fabbrica Italiana Automobili Torino", vulgo FIAT.

Em casa dos meus pais, tivemos vários desta última marca, onde se destacaram um rápido "1400 B" de 1959, uma bela carrinha "1800" (6 cilindros) de 1961 e um "850 coupé" de 1966.

No recôndito dos meus sonhos, havia lugar para um modelo pequeno e muito "cosy", desta marca, que era o 500 C "Belvedere", em Itália conhecida, carinhosamente, por "Belve".

Sempre achei muita graça a estes modelos, tanto pela singularidade das suas linhas, como pelo "arrojo" do Eng.º Dante Giacosa (1905-1996) de, na época ter feito um modelo minúsculo, que pudesse transportar uma família, nos anos 50!


Na verdade, era "possível" transportar quatro pessoas e ainda (?) alguma bagagem!!!

Devo referir, que também foi decisivo para a escolha deste brinquedo, o facto de ter alguns excedentes do meu Fiat 500 C Berlina Transformável de 1951, restaurado a "fundo" de 1986 a 1991, tendo sido este, resgatado às "garras do destino", que era o ferro-velho!

Principais características deste modelo:

Fiat 500C "Belvedere"
Produção: de 1951 a 1955
Lotação: 4 passageiros
Comp.: 3,420 mts.; Larg.: 1,288 mts.; Alt.: 1,455 mts.
Tara: 660Kgs.; Peso Bruto: Tara + 4 Passageiros e 50kgs de bagagem.
Distância entre eixos: 2,000 mts.
Motor: 4 cilindros, em linha, com 569 cc; 16,5 cv às 4.400 rot/min. (bloco c/apenas 28 cmts de comprimento!!!)
Radiador e ventoinha, "atrás" do motor!
Taxa de compressão: 6,45:1
Cabeça de alumínio e válvulas à cabeça.
Suspensão da frente: Mola transversal, braços triangulares oscilantes, com amortecedores hidraulicos;
Suspensão traseira: ponte rígida com molas semielipticas, amortecedores hidraulicos e barra estabilisadora.
Travões de tambor, hidraulicos à frente e atrás, com travão de mão mecânico directo ao veio de  transmissão.
Três portas: duas da frente ("indiscretas") e outra traseira;
Descapotável (transformável);
Possibilidade de rebater o banco traseiro para alojar carga;
Consumo: 5,8 litros aos 100kms (17kms c/ 1 litro);
Autonomia: cerca de 350km;
Velocidade máxima: 90 km/h;
"Chaufage" (aproveitando o ar quente do radiador), com desembaciador de pára-brisas (primeiro utilitário a ter esta característica) 
Etc..


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sábado, 21 de agosto de 2010

Prólogo

Como estou reformado desde 2007, e depois de uma vida intensa de trabalho, achei-me "atascado" na nova rotina, que me imobilizava!

Como diz o ditado popular: "Quem não tem que fazer, faz colheres", e como eu não tenho formação de escultor ou fundidor, para fazer as ditas, pensei em ocupar o meu tempo naquilo que é o meu "hobby": Automóveis antigos.

Daí a "pôr as mãos na massa", foi só um lapso de tempo bastante curto.
Luis Sequeira Pereira

Índice
Prólogo
O porquê da escolha
A procura
Em busca da GIGI
O regresso casa com "la vechia italiana"
O restauro da "Gigi":
. Parte I
. Parte II
. Parte III
. Parte IV
. Parte V
O "Antes e Depois"
Os primeiros passos...
GIGI... "Outra" Aventura!


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